Quero organizar
bagunça do meu armário,
tirar os papéis antigos e deixar um espaço livre.
Quero entrar para uma ONG
ajudar os índios tapajós.
Quero conversar com os meus amigos
e iniciar uma empreitada a favor da vida.
Quero ir para o Zimbábue.
Cruzar o país e contar o que vi.
Quero deixar de lado as novas tecnologias,
viver só com o essencial.
Quero tacar fogo no corpo
e invadir a reitoria.
Quero fazer uma emboscada
e exigir justiça de resgate.
Quero explodir a TV.
Essa maldita TV!
Quero escrever contos
e encantá-los em seguida.
Quero fazer história.
Gravar meu nome num busto em bronze.
Quero ganhar um Nobel e um Pulitzer.
Por descobrir a cura do sofrimento e escrever um Tratado
sobre o Amor.
Quero dedicar minha vida às crianças,
ensiná-las como pode ser bom viver.
Quero colorir o mundo.
Criar asas e desvendar os quatro cantos.
Quero convencer a humanidade que o egoísmo tem que acabar.
Dividir os bens e acabar com a fome.
E ao mesmo tempo,
não quero nada.
(Gualter)